Governo do Distrito Federal
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27/11/18 às 15h31 - Atualizado em 27/11/18 às 15h31

A CLDF reconhece lideranças e projetos para despertar a Consciência Negra

 

Uma saudação em Yorubá, dialeto africano, abriu os discursos dos homenageados na Sessão Solene da Consciência Negra nesta manhã(26/11), na Câmara Legislativa do DF. Uma iniciativa do Deputado Distrital Ivonildo di Lira, PHS.
“Olojó Oni Mujubá, que o Senhor nos proteja e nos dê caminhos”, foi proferida pela liderança afrodescendente, Adaílton Lopes dos Santos.
A Homenagem é um reconhecimento à ações adotadas por autoridades políticas, representantes no Brasil de Embaixadas Africanas e lideranças do movimento de Resistência e Combate ao preconceito, racismo e discriminação racial.
O líder Pai Lilico de Oxum , de Sobradinho, representou as comunidades de matrizes africanas.

A história narrada por muitos ali presentes, relatou a vinda dos escravos, em número de 12 milhões que imigraram da África; 40% chegaram ao Brasil.
A trajetória expressa na arte- que ressalta as características físicas e estéticas- na música e nos movimentos religiosos de resistência à intolerância racial, ganhou contornos de movimentos de transformação da realidade enfrentada por pessoas negras.
Os números são muito desfavoráveis.
Uma pesquisa recente de Emprego e Desemprego no DF, (CODEPLAN, DIEESE, SEADE e SEDESTEMIDH), aponta que são as pessoas afrodescentes a maioria no mercado de trabalho: 73,8%, porém, no primeiro semestre de 2017 à 2018, houve um recuo na ocupação de mão de obra de 2,4% contra apenas 0,5% de pessoas não negras.

A Antropóloga Vânia Fraim lembrou que existe um mito de que as mulheres negras são as que mais resistem à dor, na verdade, elas sofrem mais episódios de eclâmpsias -complicações na gravidez e pré-parto, recebem menos anestesias e são as que mais morrem durante o parto.
O Atlas de 2017 da Violência contra mulheres e negros concluiu que, 78,9% são vítimas de violência e mais de 318 mil jovens negros foram assassinados entre 2005 a 2015.
Os salários das pessoas afrodescendentes são inferiores aos praticadas no mercado de trabalho. Enquanto 67% ganham 1,5 salários mínimos, entre as pessoas não negras esse salário é realidade em apenas 45% dos trabalhadores. Após a apresentação desse histórico a antropóloga concluiu; ” é preciso continuar resistindo, lutando, vivendo e não, sobrevivendo!”
O Advogado Ronald Barbosa, com um trabalho voltado ao ensino jurídico de jovens de escolas públicas, entre 9 e 12 anos, aposta que essa é a forma de combater o genocídio de jovens negros.

Ilda Peliz secretária da SEDESTMIDH, também homenageada, comentou que o Dia da Consciência Negra deve ser pauta contínua para retomar a discussão de indicadores de desigualde racial.
Ilda, que trabalha com crianças vítimas de câncer infantil lembrou que doenças hematológicas, como a Anemia Falciforme acomete 60% dos pacientes e é comum entre crianças afrodescendentes, por isso é vital o tratamento preventivo para evitar as complicações.
Ilda Peliz foi responsável pela inclusão no teste do pezinho, do marcador de Anemia Falciforme.

Por Claudia Miani